sexta-feira, 1 de agosto de 2014

O enigma dos índios isolados, mas Corinthianos

Texto do Amigo jornalista Walter Falceta
 
 
 
Então, virou notícia internacional. Um grupo de índios do Acre, até agora isolado, sem contato com a "civilização...", decidiu estabelecer contato com o homem branco.
 
Entre os pertences desses brasileiros nativos, no entanto, já havia uma pequena coleção de ícones da vida moderna, como parafusos, saquinhos plásticos e fósforos.
 
Entre esses bens, no entanto, o mais bem cuidado era uma carteira com o escudo do Sport Club Corinthians Paulista, adornada com uma porção de fios coloridos.
 
De acordo com a Funai, é provável que esses objetos tenham sido obtidos em incursões por acampamentos de garimpeiros ou de lenhadores.
 
Do ponto de vista semiótico, o símbolo do Corinthians constitui-se em caso à parte. Este desenho complexo, cuja versão final é do famoso pintor Rebolo, atrai, fascina e apaixona.
 
Trata-se de um símbolo cinético, com a bandeira tremulante ao vento. É, digamos, também molhado, móvel, multifuncional, composto nas referências náuticas.
 
Apresenta-se na dimensão universal e perfeita do círculo, mas agrega a composição retilínea da ferramenta. Para um índio, os remos e a âncora devem ter parecido visões de uma mágica solução tecnológica.
 
Convém lembrar que a carteira, este objeto raro e singelo, carregado de energias, pertenceu antes a outra pessoa, a um trabalhador dos rincões, que pretendeu guardar suas modestas riquezas num "cofre" que exaltava seu time do coração.
 
Mais do que uma reunião complexa de símbolos da civilidade, o Corinthians da boa história paulista veio à luz como referência de uma paixão gregária, construída no pensamento fraterno dos operários anarquistas do Bom Retiro.
 
Desde a fundação, reclamou direitos. Disse a elite que todos os filhos da terra tinham direito de se deleitar com os prazeres do esporte bretão.
 
O Corinthians conquistou, portanto, poder transformador. Ele inclui, irmana, resgata e ensina a cooperar.
 
É o time dos insurgentes libertários de 1917, dos resistentes à odiosa Ditadura Militar, dos geniais Sócrates e Wladimir.
 
É lugar do aprendizado sociológico do presidente operário. Como diz o pernambucano do ABC, foi no corinthianismo que ele aprendeu a ser feliz em conjunto, a incluir, a compartilhar.
 
Se assim é, as coisas do Corinthians carregam essa energia. É a âncora, para fixar o lugar, para conquistar o território que ao povo pertence. É o remo, de quem labuta, de quem se move para frente, derramando suor sobre o labor honesto.
 
O símbolo corinthiano apresenta ainda, as cordas que nos unem, que botam judeus e árabes, espanhóis e italianos, japoneses e coreanos, filhos de Angola e filhos da Alemanha, guaranis e xucurus, todos no mesmo barco.
 
Não à toa, o Timão sagrou-se campeão do mundo com um lateral índio autêntico, José Sátiro do Nascimento, um bravo xucuru-kariri. E tal proeza ocorreu no Maracanã, sobre território ancestral dos tupinambás.
 
No bicampeonato, no Japão, atuava na equipe mosqueteira outro descendente direto dos povos pioneiros, o volante Paulinho.
 
E vale recordar que, em 1966, o maior driblador da história do futebol, Garrincha, descendente diretos dos Fulniô, vestiu o sagrado manto alvinegro.
 
Talvez, nossos irmãos das aldeias não conheçam esses detalhes, mas é certo que vivem se apaixonando pelo time do povo.
 
Recentemente, os pilotos de um avião detectaram estranhas inscrições gigantescas na Serra Camararém, na reserva Raposa do Sol, em Roraima. Em terra, depois, perceberam tratar-se de símbolos de clubes brasileiros.
 
Recortaram-se ali os símbolos de Flamengo, Botafogo, Palmeiras e Vasco, e mais um, mais complexo que os demais, o que mereceu mais exibe capricho, o do Corinthians.
E há ainda quem considere o futebol apenas um jogo. Ah, mas é muito mais. O futebol, quando expressão popular, integra, promove e inclui. Extingue isolamentos.
E o Corinthians, em 104 anos de história solidária, fornece boas receitas para quem pretende construir convergências.
No território do justíssimo guerreiro São Jorge, os cidadãos e cidadãs de bem são sempre acolhidos e abençoados. É norma. Figura no Estatuto, desde 1913.
Não importa a cultura, o idioma, a classe social, a crença religiosa: somos todos um, felizes da comunhão das diferenças. Somos os mais brasileiros!

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